Observatório Carioca


Maio 12, 2008, 2:09 am
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Mais uma vez, o descaso do poder público acaba com mais uma vida. Mais uma criança morta.
Vejam a matéria que saiu no Globo:

Por Isabella Guerreiro - Extra, Ediane Merola - O Globo e O Globo Online

RIO - Dois moradores de rua foram queimados próximo ao Viaduto dos Marinheiros, na Cidade Nova, por volta das 5h deste domingo. A moradora de rua Flávia Souza, de 15 anos, morreu. Segundo o companheiro da adolescente, identificado como Leonel, ela estava grávida de um mês. Wellington Alves, de 16 anos, amigo da Flávia, também foi queimado. Socorrido, ele foi levado para o Hospital Souza Aguiar. O rapaz teve 100% do corpo atingido por queimaduras de segundo e terceiro graus. Até o início da noite, o estado de saúde dele era considerado gravíssimo. Outros quatro moradores de rua dormiam no local quando Flávia e Wellington foram queimados, mas conseguiram fugir. (mais…)



Calçadas tijucanas
Maio 9, 2008, 12:42 am
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Uma rapidinha: nada tenho contra o trabalho informal, mas é impossível caminhar na Conde de Bonfim perto da Praça Saens Peña. As ruas foram tomadas pelos vendedores e só se pode passar em fila indiana.
Vez por outra aparecem uns guardas municipais, mas assim que eles saem, começam as vendas e termina a calçada.



Ronaldinho travesti
Maio 7, 2008, 2:02 am
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Sempre esquecemos tudo, né? Temos a memória mais curta do mundo. O planeta em chamas a nossa volta, tiroteio pra todo lado e o que queremos saber? “Ronaldinho e os travestis” é o cúmulo!
O Rio é uma cidade linda, mas está cada vez mais largada, cada vez mais destruída. Parece que por mais que se faça, por mais que se exija, as coisas não caminham.



Aedes Metrô
Abril 2, 2008, 6:07 pm
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Depois de um tempo sem postar, hoje me animei um pouco.
Como sempre, tenho que falar um pouco do Metrô aqui do Rio, pois ele me ensinou uma valiosa lição de humildade: aprendi a viver como uma sardinha, por alguns minutos, em um vagão com centenas de pessoas coladas umas nas outras. Para sair ali na estação Uruguaiana, foi um empurra-empurra geral e pessoas chegaram a cair pelo chão.
Não vou nem falar da linha 2, que vai para bairros do subúrbio. Na linha 2 as pessoas são tratadas como gado, com direito a porteira e tudo. Não tenho palavras para descrever.
Aí, o Metrô começa a sua nova campanha onde “se cada um fizer a sua parte, a viagem será ótima”. Eles pedem que as pessoas não usem mochilas nas costas – isso irá realmente resolver o problema de espaço… Claro que não! Se todos colocarem a mochila para frente, ou levarem na mão, vai ser possível enfiar mais duas pessoas na lata de sardinha.
E é claro que tenho que destacar o maravilhoso adesivo no teto e na porta que diz para as pessoas não ficarem ali, que devem dirigir-se ao centro do carro. Porém não se consegue nem passar da porta, quanto mais ir ao centro do carro, onde já estão centenas de pessoas.
O Metrô para zona sul, onde supostamente está o “dinheiro” aqui no Rio de Janeiro é suportável, mas o que vai para a zona norte e o da linha 2 são uma incrível tortura. Dá vontade de gritar lá dentro – mas aí é perigoso, pois os guardas do Metrô, dentro das estações, possuem poder de polícia e podem te agredir.
Metrô Rio e a epidemia de dengue são os dois casos mais interessantes de descaso do poder público com a população. Quem é o responsável pela barbárie? No caso da epidemia, quem é responsável pela morte de várias pessoas, entre elas diversas crianças? Por que nossos hospitais são o lixo do lixo? Não temos médicos, os que estão não têm material para trabalhar. Como essas pessoas que supostamente nos representam conseguem dormir?
Chega. Tá difícil viver aqui. Nossa cidade está jogada às traças. Ou melhor, aos mosquitos.



O Juiz, a Polícia e o Malandro
Fevereiro 16, 2008, 5:56 pm
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Segunda-feira de carnaval, saio de casa perto das 22:00 horas para encontrar a namorada na porta do Circo Voador, na Lapa. Lá chegando, saio do táxi falando ao celular para encontrá-la. Mas não é só. Além de tênis, bermuda e camisa, usava um chapéu, desses vendidos em todos os cantos da cidade a R$ 5,00. Presente da namorada. Coisa de mulher.

Então, atravesso a rua e quase sou atropelado por um camburão com luzes e lanternas apagadas com a inscrição CORE no carro. No mesmo momento o motorista grita ” Ô malandro” e eu, assustado, dou um pulo para a calçada, peço desculpas e viro as costas, continuando ao celular e andando, já na calçada.

Ai, percebo que a viatura andava ao meu lado, com três policiais de preto, ao que escuto, em alto e bom som: “Saia da rua, seu malandro e bêbado”. Nesse momento, pensei: Isto não é jeito de tratar as pessoas na rua e respondi: “Não sou bêbado nem malandro; se vocês não estiverem em operação, está errado andarem com essa viatura preta e apagada, pois quase me atropelaram e vão acabar atropelando alguém!”

Oportunidade em que os homens de preto descem da viatura dizendo: “Ô malandro, tu é abusado, tá preso”. Ato contínuo, diante da voz de prisão, estendo os dois braços para ser algemado. Pergunto ao mais novo dos três, que estava completamente alterado: “Qual o motivo da prisão?” Resposta: “Desacato”. Pergunto novamente: “O que os senhores entendem como desacato?” Resposta: “Até a DP a gente inventa, se a gente te levar pra lá”. Neste exato momento, percebendo a gravidade da situação, disse: Estou me identificando como juiz federal e minha identificação funcional está dentro da minha carteira, no bolso da bermuda. Imediatamente o policial novinho, que se identificou como André e na DP disse se chamar Cristiano meteu a mão no meu bolso, pegou a minha carteira e a colocou em um dos bolsos de sua farda preta. Então o impensável aconteceu! Disseram: “Juiz Federal é o c…, tu é malandro e vai para a caçapa do camburão.

Fui atirado na mala do camburão como bandido, algemado, porém, com o celular no bolso e os três policiais do CORE da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro, dizendo que no máximo eu deveria ser “juiz arbitral ou de futebol”. Temendo pela vida, por incrível que pareça me veio aquela frase de Dante, da sua obra “Divina Comédia”: “Abandonai toda a esperança, vóis que entrais aqui”. Então, sem perder as esperanças, peguei o celular do bolso mesmo algemado e liguei para a assessoria de segurança da Justiça Federal informando a situação, bem baixinho, e que não sabia se seria levado para DP, pedindo para acionar a PM e localizar a viatura do CORE que estava circulando pela Lapa comigo jogado algemado na mala.

Após a ligação, disse-lhes uma única coisa, ainda na viatura. “Vocês estão cometendo crime, ao que escutei dos três, aos risos: “juiz federal andando com esse chapéu igual a malandro. Até parece. Se você for mesmo juiz, a gente vai chamar a imprensa, pois juiz não pode andar como malandro.”

Na delegacia, as gracinhas dos policiais continuaram: “Olha o chapéu do malandro”. Então eu disse, já me sentindo em segurança: “Vocês querem que eu tire o chapéu e vista terno e gravata?”

O fato é que já na presença do delegado as algemas foram retiradas e, vinte minutos depois, um dos policiais de preto vem ao meu encontro e me pede: “Excelência, desculpas, nos agimos mal, podemos deixar por isso mesmo?” Respondi: “Primeiro. Não me chame de Excelência, pois até há pouco vocês me chamavam de malandro. Segundo. Não, não pode ficar por isso mesmo. Como é que vocês tratam assim as pessoas na rua, como se fossem bandidos. Terceiro. Vocês três não honram a farda que estão vestindo. Quarto. Desde a abordagem policial agi apenas como cidadão, no que fui desrespeitado e, depois de ter me identificado como juiz federal, fui mais ainda, logo, um crime de abuso de autoridade seguido de outro de desacato.

Depois do circo montado pelo próprio agente do CORE Cristiano, que ligara do interior da DP para os repórteres, de forma incessante, talvez temendo que ele e seus dois colegas de farda preta fossem presos por mim no interior da DP, decidi não fazê-lo porque em nada prejudica a instauração de procedimento administrativo na Corregedoria da Policia Civil, bem como a ação penal por abuso de autoridade e desacato, sendo desnecessário mencionar o dano à minha pessoa, como cidadão e magistrado.

Pensei, por fim: “Se como juiz federal fui ameaçado por três homens de fardas pretas com pistolas automáticas, algemado e jogado como um bandido na mala de um camburão, simplesmente por tê-los repreendido, de forma educada, como convém a qualquer pessoa de bem, o que aconteceria a um cidadão desprovido de autoridade e de conhecimento dos seus direitos?” Duas coisas são certas, de minha parte: Não permitirei nada “passar” em branco, pois são fatos sérios e graves que partiram daqueles que têm o dever de zelar pela segurança da sociedade e, no próximo carnaval, não usarei o presente da namorada, o tal “chapéu”. É perigoso. Pode ser coisa de malandro.

Roberto Schuman – Cidadão e Juiz Federal no Estado do Rio de Janeiro

Fonte: Blog do NOBLAT



Caos nos transportes!
Fevereiro 14, 2008, 1:07 am
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Nestes dias estou indo trabalhar no Centro, perto da Uruguaiana. Pego o metrô lá pelas 08:30. Gente, é inacreditável: centenas de pessoas na plataforma – entramos no metrô – já fica lotado – chega no Estácio e entram centenas de pessoas que já estão lá amontoadas – vagão super lotado – ninguém consegue respirar – enquanto isso olho para a porta do vagão e para o teto e lá estão uns adesivos assim: “não fique na frente da porta” ou algo parecido – enquanto isso todo mundo na lata de sardinha – chega na Central e aí vai tudo por espaço mesmo – centenas de pessoas que não conseguem entrar empurram todas que já estão amassadas dentro do vagão – não consigo respirar – me concentro para não entrar em desespero e finalmente chego na Uruguaiana! Deus do Céu!

Por que os caras não colocam mais composições? Por que não colocam mais trens? Caramba!!!

Aí resolvi voltar de ônibus. Seis da tarde. Peguei o 415 (Usina-Leblon) na Presidente Vargas. 50 minutos depois (em uma viagem que levaria 10 minutos) chego no engarrafamento antes da Praça Saens Peña onde fico por mais 20 minutos. Esse engarrafamento existe a anos e nossos engenheiros de tráfego parecem desconhecer! E o ônibus não tem ar-condicionado! Calor de quase 40 graus! O que é isso, minha gente?!

Tenho que escolher entre o fogo ou a frigideira. Literalmente! Onde nós vamos chegar? Aliás, vamos conseguir chegar?

16/02/08 - Ah! Deveriam mudar o nome da Estação Saens Peña para “Estação Manteguinha” pois o cheiro de pão de queijo (feito na hora pela barraquinha que lá está) toma toda a estação. Será que poderiam comprar um bom ar ou coisa assim? Já ouviram falar de exaustor?



Meio devagar
Janeiro 28, 2008, 9:45 pm
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É verdade… As coisas por aqui estão meio paradas.
Todo dia quando saio pela rua e vejo um montão de buracos e o descuido total do mobiliário urbano eu penso no blog. Quanta coisa podemos observar caminhando um pouquinho pelo Rio.
E o IPTU? O meu subiu. Aqui na Tijuca - terra que estava meio largada, mas que agora está melhor um poquinho. Será que aumentou por isso?