Observatório Carioca


Já era
Fevereiro 23, 2007, 4:32 pm
Arquivado em: Cotidiano

“Ontem entrei para as estatísticas de assalto a mão armada, roubo de carro e violência no Rio”. Assim começa o post de mais um conhecido que teve seu automóvel roubado. Apesar de acostumados com a ineficiência da polícia em encontrar o carro em bom estado, ainda revolta a atitude dos PMs frente a qualquer pessoa em busca de ajuda.

Ainda do blog amigo: “Vale a pena comentar que a polícia apareceu rapidamente e fez prontamente o seu trabalho. O ruim é ter que ler e ouvir de amigos ‘pelo menos que não fizeram nada com vocês’. Como não? Eu fui assaltado! E ouvir dos policiais de maneira muito natural que “se eles subirem para o (morro do) salgueiro, já era”.

Essa tal sinceridade policial…



Carnaval II
Fevereiro 20, 2007, 2:32 pm
Arquivado em: Geral

Fazia tempo que não me colocava como discípulo de Momo no Rio e, ao menos desta vez, a cidade me surpreendeu -positivamente. Uma da tarde, Leblon, Zona Sul. Começa um batuque. É um bloco pequeno, o “Corre Atrás”, criado numa bebedeira no ano passado. Resistiu à ressaca e lá estava ele, chegando à Dias Ferreira com a juventude dourada. Como o sol estava a dourar demais a pele, fui à praia, logo ali em Ipanema. No caminho, em batucadas em várias esquinas, felicidade geral.

Nessa época, a cidade se transforma. Trocadores e motoristas se tornam mais pacientes, relevam a bagunça do trânsito, pois sabem que eles também vão bagunçar em breve. As pessoas esquecem que não se conhecem e se cumprimentam na rua, dão bom dia, boa tarde, boa noite. Bom carnaval, enfim. Uns brincam com a fantasia da menina, outros param em frente às crianças donas de sprays de espuma (uma praga que parece estar acabando) e pedem para elas que inventem uma peruca branca. Por que não, se foi pedido? Pede-se informação ao policial e se recebe uma resposta que começa com “amigo” e termina com “boa tarde”. Impressionante.

Chega-se à praia. Lotada. Não só de gente como de sotaques. “ô meu, pega um breja”, diz o paulista. “One more of this”, pede o turista americano, com sorriso de caipirinha. A inflação está lá. Cerveja a R$ 2,50, cadeira para alugar? Só se pagar mais caro que os turistas. A prioridade dos barraqueiros são eles.

Tudo bem.  Busca-se um espaço na areia, o calor aumenta. Mar gelado, temperatura ideal. A limpeza, porém, deixar a desejar.Uma mancha marrom na água nos leva a ir para o calçadão, em busca da dupla “cerveja e batucada”.

Ando de Ipanema a Copacabana. Lá estão os bate-bolas, vindos do subúrbio com suas fantasias. Correm, gritam, assustam as crianças. São divertidos, afinal.

Um pouco mais e encontra-se a concentração do Rancho Flor do Sereno, grupo de carnaval que decidiu não ser bloco, mas uma banda, parada. Quase uma orquestra. Lá estão senhores e senhoras, provavelmente os primeiros a cantar as marchinhas que ainda hoje são berradas por aí nesses dias de folia. Eles dançam, se abraçam e lembram dos velhos tempos com os filhos e netos. Colocam cadeiras de praia no meio da multidão e não ligam para o calor. É carnaval, afinal.

Tempo depois, a fome avisa que a festa precisa de intervalo. Vamos comer. Bares lotados, restaurantes idem. Nâo tem problema, o risoto de camarão resolve tudo.

Volta para casa. De ônibus, claro. Várias ruas mostram que por ali estiveram foliões. Muitos. E muitos camelôs, contentes com o lucro, tristes de cansaço. As ruas fedem, mas já se via vários caminhões-pipa circulando para lavar as ruas. Os sorrisos permanecem, apesar das fantasias maltrapilhas que constrastam com aquelas carregadas pelos que vão desfilar e entram nas estações de metrô.

A festa nunca termina.



Doce balanço a caminho do mar
Fevereiro 20, 2007, 12:44 am
Arquivado em: Cotidiano

Segunda-feira de carnaval, dez e quinze da manhã, Av. Delfim Moreira, pista da praia, em frente à Rainha Guilhermina. Sol forte, uma aglomeração. Mais um bloco, imagino. Que nada!

Chego mais perto, há policiais também. Em grande número, aliás. Mas não tem banda, marchinhas, carro-de-som. Não há fantasias, só um imenso delírio. Um som. Acho que vinha de um carro estacionado com portas abertas. Um som. Hipnótico, repetitivo, alto. Tum, tum, tum, tum, tum, tum, tum… techno, trance, whatever… infindo. E gente entorpecida.

Lata de cerveja na mão, uma menina em transe bailava em câmera lenta pela ciclovia, olhos semicerrados. A meio metro, três guardas municipais, olhos arregalados, a observavam.

Rapazes e moças zanzavam pela avenida fechada ao trânsito. Doidões na areia, outros tantos. Um deles, à sombra da lona que cobria o banco ao lado de uma rede de vôlei, baixa as calças e elimina ali mesmo o que sobrara do jantar da véspera. Mais adiante, segundo me contaram, uma menina já tinha resolvido urinar, sem cerimônia, na escadaria que desce em direção à praia.

A rave improvisada termina algum tempo depois. O som acaba, as pessoas começam a ir embora, os policiais se dispersam, os garis vêm limpar a praia. O espanto fica.



Carnaval
Fevereiro 18, 2007, 12:28 am
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Nada a declarar! Vai, Cazuza!

Letra de O Brasil Vai Ensinar O Mundo de Cazuza

No mundo inteiro há tragédias
E o planeta tá morrendo
O desespero dos africanos
A culpa dos americanos
O Brasil vai ensinar o mundo
A convivência entre as raças
Preto, branco, judeu, palestino
Porque aqui não tem rancor
E há um jeitinho pra tudo
E há um jeitinho pra tudo
Há um jeitinho pra tudo
O Brasil vai ensinar ao mundo
A arte de viver sem guerra
E, apesar de tudo, ser alegre
Respeitar o seu irmão
O Brasil tem que aprender com o mundo
E o Brasil vai ensinar ao mundo
O mundo vai aprender com o Brasil
O Brasil tem que aprender com o mundo
A ser menos preguiçoso
A respeitar as leis
Eles têm que aprender a ser alegres
E a conversar mais com Deus…



TransRio?
Fevereiro 15, 2007, 8:39 pm
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“Imagina o seguinte: você vai ao trabalho e pega um ônibus moderno, que passa em um horário marcado. Para pagar, não precisa de moeda, só passar um cartão em um leitor, que te desconta o valor. Há rampa para deficientes e marcações para cegos. Além disso, os motoristas são simpáticos e educados. É possível que você tenha que fazer algumas baldeações para chegar a seu destino, mas não importa, pode saltar do ônibus e pegar outro sem pagar ou ainda tomar um metrô, também sem pagar” (original aqui).

Paris? Madrid? Nova Iorque? Não, Santiago, Chile. América do Sul como nós, bagunçada como nós. Se lá tem, por que aqui não?

Será difícil montar um esquema de ônibus no qual não seja necessário gastar R$ 4 ou até mais se tiver que chegar em algum lugar um pouquinho mais distante? E que os ônibus -e seus motoristas- sejam civilizados?

Caro? Em Santiago a passagem vai custar 380 pesos, menos de um real. Você pode pegar até três conduções durante uma hora e meia.  Aqui, três conduções saem por pelo menos R$ 6.



Drummond vai à Rua Uruguai
Fevereiro 15, 2007, 5:48 pm
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Rua Uruguai, Tijuca, Zona Norte do Rio. Havia um poste no meio do caminho. Na verdade, ainda há. Faz meses. Talvez anos. E nenhum sinal de que vá sair de lá, do meio da rua.

Havia um poste no meio do caminho…



FARME DE AMOEDO: TERRITÓRIO LIVRE
Fevereiro 15, 2007, 1:33 pm
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Recebi essa convocatória e encaminho abaixo. Parece que a violência em nossas ruas não tem limites…

Particpe do Ato Público contra homofobia e pela paz neste sábado dia 17/02, às 14 horas, na Praia de Ipanema, em frente à rua Farme de Amoedo. Presença de ativistas, grupos GLBT, movimentos de direitos humanos, personalidades e representante do poder público.

O Grupo Arco-Íris convoca a todos e todas cidadãos e cidadãs a dizer um grande basta à violência, perseguição e homofobia no Rio de Janeiro.

Nos últimos dias temos visto pela imprensa e recebido denúncias da ação de membros de uma gangue em Ipanema, auto-intitulada Farmeganistão. Os mesmos vêm ameaçando a comunidade de GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) com bandeiras e distribuição de camisetas com o objetivo concreto de agredir e intimidar os homossexuais que freqüentam a rua Farme de Amoedo e os seus arredores, em Ipanema. Numa tentativa arbitrária de coibir o direito constitucional de ir e vir, esses criminosos querem impor uma “Faixa de Gaza” na praia pública, limitando o que chamam de seu território e ameaçando aos homossexuais com agressões físicas, caso estes a ultrapassem. A gangue ainda anunciou que durante o Carnaval irão alugar um carro-pipa para “lavar” a Farme, no melhor estilo nazista de perseguição e limpeza eugenista.

O Grupo Arco-Íris já entrou em contato com as autoridades públicas e cobrou ações efetivas, sistemáticas e contínuas, para garantir a segurança da comunidade GLBT, não só durante o Carnaval, mas durante todo o ano.

Se você não se conforma com a violência e intolerância que impera no Rio de Janeiro, está na hora de dizer um BASTA!!!

Lute pela sua cidadania. Participe!

A FARME É DE TODOS/AS!!!

Grupo Arco-Iris de Conscientização Homossexual