Observatório Carioca


Falso sequestro
Março 16, 2007, 2:07 pm
Arquivado em: Cotidiano

Senhoras e senhores,

Sei que todas as mídias têm colocado esse tema em pauta, mas nunca é demais. Já ouvi várias histórias de pessoas que passaram por essa situação, mas nunca havia conhecido ninguém – até agora. A mãe da minha filha passou recentemente por isso. Acho que ainda estou me recuperando do susto – e agradecendo a Deus todos os dias por não ter passado nada mais grave. Temos muita sorte.

Abaixo, coloco o e-mail que foi enviado aos amigos com detalhes do que aconteceu.

“Bom, (…) vcs devem ler com atenção para que essa situação não se repita
tão facilmente.

Com certeza todos vcs conhecem aquele golpe onde marginais ligam para a casa de alguém dizendo que estão mantendo um membro da família como refém e pedindo objetos de valor e dinheiro para liberar a pessoa que pegaram.

Pois bem, apesar de me considerar uma pessoa bastante informada, infelizmente ontem, eu caí nesse golpe.

Para evitar que pessoas conhecidas (ou não) também caiam, resolvi relatar a minha experiência com todos os detalhes para que vcs possam saber como agir se por acaso acontecer com vcs.

Ontem, por volta das 21:30, o meu telefone fixo tocou e quando atendi uma criança com a voz MUITO parecida com a da minha filha começou a gritar e chorando muito, disse: “Mamãe, socorro! Ele me pegaram! Vem me salvar!”.

É claro que na hora tentei acalmar a minha suposta filha e nessa acabei dando o nome dela para os marginais. Em seguida um homem pegou o telefone e disse que estava com a minha filha, que eu ficasse calma e seguisse as instruções e que se eu não tentasse nada, tudo acabaria bem. Então, ele me pediu o n° do meu celular, mandou deixar o fixo ligado porque ligaria direto para o celular (na hora eu não raciocinei direito, só depois me toquei que se eu tivesse usado o fixo para tentar falar com a minha filha que estava na casa do pai, iria dar ocupado do mesmo jeito se ele tentasse ligar).

Ele me perguntou o que eu tinha de valor em casa e que pudesse ser facilmente transportado em uma bolsa sem chamar a atenção. Disse a ele o que eu tinha. É claro que ele também me pediu dinheiro, me mandou ir ao
banco tirar tudo o que tivesse. Quando cheguei ao banco, a agência estava fechada por ser fim-de-semana, então fui até outro caixa eletrônico em um mercado, mas este estava quebrado (um golpe de sorte). O TEMPO TODO ELE ESTAVA AO CELULAR COMIGO. Eu disse a ele que não consegui sacar nada e expliquei o motivo. Então ele me disse para pegar um táxi até Copacabana e chegando lá ele me daria mais instruções, mas que eu não desligasse o celular.

Chegando em Copa ele me disse para sair do táxi na praça do Lido e que fosse andando seguindo o fluxo dos carros na Atlântica. Depois de uns 3 quarteirões ele disse que os “homens” dele estavam descendo do morro
Chapéu-Mangueira em dois carros, a minha filha no da frente só com o motorista e o resto do bando no segundo carro.

Depois de uns dez minutos (SEMPRE COM O CELULAR LIGADO) ele descreveu a minha roupa e a bolsa que eu estava levando e perguntou se era eu mesma de acordo com a descrição, respondi que sim, e então ele me
mandou ficar junto aos carros estacionados na Atlântica, colocar a bolsa entre dois deles e esperar mais um pouco. Logo depois ele me disse para deixar a bolsa e o celular e ir até a outra esquina porque a minha filha estaria me esperando lá. Quando cheguei na esquina é claro que não havia nenhuma criança, e ainda assim resolvi esperar alguns minutos.

Enfim, quando percebi que nenhuma criança iria aparecer resolvi procurar ajuda, e tentar ligar para alguém, mas, como era de se esperar nenhum orelhão estava funcionando, ou eu no meio do nervosismo não fui capaz de ligar direito, sei lá.

Então, eu vi um camburão da polícia, fui até lá e expliquei o que tinha acontecido. Na mesma hora todos os policiais disseram que eu provavelmente tinha caido em um golpe, mas para descartar qualquer dúvida,
tínhamos que tentar localizar a minha filha.

Depois de algum tempo eu consegui falar com ela e tive a certeza de que tudo estava bem.

No fim das contas o prejuízo material não foi alto, eu estava bem, a minha filha estava bem… Mas as duas horas de terror que passei não serão esquecidas tão facilmente.

Eles vão direto no ponto fraco da gente, que são as pessoas que amamos.
Eles agem pelo menos em dupla, o bom e o mau. Um que te acalma e promete não fazer nada e outro que te apavora o tempo todo. A própria vítima é quem dá os dados de que eles precisam, como o nome do suposto refém.

Se algo parecido acontecer com vcs, tentem falar com outra pessoa para tentar localizar o suposto refém (vizinhos, porteiro, msn qq um).

Isso é muito sério, não há muito que possamos fazer para nos proteger, mas sabendo a maneira como eles agem, talvez possamos impedir que mais alguém caia no golpe.

Por favor, repassem essa informação para os seus amigos e familiares”.

Depois desse episódio, os bandidos ligaram outra vez – desta vez com uma voz de menino pedindo socorro e se fazendo passar por meu filho. Infelizmente não fui frio o suficiente para mantê-lo ao telefone enquanto tentava localizá-lo e ele desligou.

Mais um capítulo de nossa novela…


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