Cerca de 50 integrantes do movimento Rio de Paz fincaram 700 cruzes de um metro de altura cada na areia da praia em frente ao Copacabana Palace, na manhã deste sábado.
Segundo os manifestantes, que usam camisetas pretas e ficarão no local até às 12h30m, cada cruz representa uma vítima de violência no estado neste ano.
O protesto deste sábado foi mais um que não conseguiu reunir muitas pessoas, apesar da onda de violência em todo o estado. Apenas entre a noite de sexta e a madrugada deste sábado, um PM foi baleado num assalto em Coelho Neto, um adolescente foi encontrado morto em Belford Roxo, um jovem foi baleado em assalto em Macaé, a filha de um PM foi baleada em tentativa de assalto na Via Light e um rapaz foi morto a tiros e facadas em São Gonçalo.
Manifestação nas escadarias da Alerj reuniu 20 pessoas
Na sexta-feira, apenas cerca de 20 manifestantes, entre eles Tico Santa Cruz da banda Detonautas e alguns atores, participaram na tarde desta sexta de um ato de repúdio à violência na escadarias da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), na Avenida Presidente Antonio Carlos.
Durante o protesto, em discursos esporádicos, Tico Santa Cruz e atores fizeram críticas ao estado pelo descaso com a violência e contra o mau uso do dinheiro público. Os manifestantes usaram sacos plásticos pretos para se cobrir e derramaram tinta vermelha nas escadaria, simbolizando as vítimas da violência na cidade. O grupo também exibiu faixas dizendo que onde não há educação, há violência. Segundo Santa Cruz, que perdeu o amigo Netinho, da mesma banda, assassinado por assaltantes, a população precisa tomar consciência de que é se movimentando que vai conseguir mudar alguma coisa.
“Para a gente conseguir uma sociedade em paz, a gente precisa oferecer condições para que isso aconteça. Então, o objetivo da manifestação é chamar a atenção para a violência e para a responsabilidade dos nossos governantes”, afirmou Tico Santa Cruz em entrevista ao RJ TV.
Morte de menino de seis anos gerou indignação em todo o país
Apesar da pouca mobilização gerada por manifestações e protestos em geral na cidade, quase todo mundo sabe que é preciso mudar. No início do mês, na missa de sétimo dia de João Hélio, os pais do menino já haviam reclamando da falta de autoridades – policial ou do governo – e de público na Igreja. Parentes de outras vítimas de violência chegaram cedo à Igreja da Candelária para prestar homenagem à família de João Helio, mas o público foi menor que o da missa de sétimo dia. Cerca de 80 pessoas estiveram presentes.
“Eu não posso crer que, nesta cidade, na hora do almoço, a gente não consiga colocar aqui mais de mil pessoas”, indignou-se, chorando, Jovita Belfort, mãe de Priscila Belfort.
As mortes de um menino de seis anos, arrastado num carro por sete quilômetros; de uma pré-adolescente de 12, vítima de tiro em operação policial numa comunidade carente; e de um rapaz de 18, baleado com outros colegas na porta do colégio onde estudava, são absurdas e chocaram o país. Assim como chocam as imagens de policiais armados de fuzis revistando, em nome do combate ao crime, mochilas de crianças de 5, 6 e 7 anos com uniformes de escolas públicas. É preciso mudar o absurdo quadro de policiais mortos em seqüência (12 nos últimos sete dias) e de inocentes atingidos por balas perdidas. Mas o que fazer para mudar?
Especialistas e opinião pública divergem dos caminhos a seguir.
Nesta mesma sexta da manifestação, mais gente morreu em operação na Favela Antares, na Zona Oeste. Nesta mesma sexta, uma das vias expressas da cidade foi novamente fechada por causa de tiroteio. Na noite anterior, tiros levaram pânico a um dos redutos mais charmosos e conhecidos da boemia carioca, o Baixo Gávea.
“Não sinto raiva do homem que fez aquilo. Tenho raiva é do Estado. Se ele fez aquilo, foi porque não teve condições de estudar como eu. O Estado não faz nada”, desabafa a modelo Bia Furtado, que escapou da morte após ser queimada com outros passageiros num ataque a ônibus em que morreram nove pessoas.
O cartunista André Dahmer, criador do site Rio Body Count, que contabiliza o número de mortes violentas ocorridas no Rio, alerta:
“A violência não será contida por esse estado truculento que fizemos para nós. A paz vai se fazer com uma contrapartida, que é gerar oportunidade. O garoto de 10 anos tá lá na Maré soltando pipa. Alguém vai buscar os serviços dele. Paz pela paz não é presente de Papai Noel. Os cariocas não vão ganhar a paz de Natal. A gente precisa mudar o foco da discussão”.
A Agência O Globo é a fonte dessa notícia.
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