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As fotos deste post encontrei na web, no blog literaturaeriodejaneiro.blogspot.com, e foram finalistas do concurso Imagens do Cristo promovido pelo Jornal do Brasil, em parceria com a Oi, tendo sido publicadas em encarte especial do jornal em 19 de novembro de 2006.
Depois disso tudo, aproveita e vota no Cristo!
Gente: que ônibus é esse? Estou com dificuldades para encontrar as palavras que poderiam descrever tal linha… Demora meia hora para passar; quando passa não para no ponto; quando para está lotado… Em resumo: um total descaso com os/as usuários/as.
Coloco em seguida algumas fotos!
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Novamente no Maracanã, casa cheia. Chego atrasado. Jogo marcado para as 21h45, saio da confusão da Praça da Bandeira às 21h20. Carros estacionados por toda a Radial Oeste, tanto na pista quanto nas calçadas. Decido fazer a volta, pegar a pista sentido Centro para facilitar a saída após o jogo.
Tudo ainda lotado. Não há onde estacionar. Deixo longe do estádio mesmo, na faixa da Radial Oeste. Com medo de roubarem o carro (são tantas pessoas gritando ‘vem comigo, patrão!’, que uma poderia facilmente se enfurecer com o patrão e levar-lhe um bem), procuro um policial.
Paro o carro. “Por favor, é seguro parar aqui? Vai ter polícia a noite toda?” (o local de estacionamento é longe e muito pouco iluminado, bem depois do antigo Museu do Índio, daí a pergunta)
- Seguro em relação a quê?, responde o homem da lei.
- Sei lá, dá pra parar aqui na boa?
- Você quer saber em relação a roubo? (Na verdade, a intenção era essa, mas dada a cara de ‘tô nem aí’, mudo o foco)
- Tá, entendi. Me diz uma coisa: vai ter reboque hoje? (só me faltava ter o vidro do carro quebrado e ainda por cima rebocarem o veículo)
- Da última vez, não teve. Mas sabe como é, né? Quem não paga estacionamento sempre pode ser rebocado.
O “estacionamento”, no caso, era um senhor de uns 40 anos, barrigudo, que aguardava o fim da minha conversa com o policial para abrir a porta do carro e me dizer “dez conto, irmãzinho”.
Olho para o policial, ele não está nem aí. “Amigo, dez reais não rola. Te dou três. É mais que o vaga-certa”.
- Meu patrão, é o seguinte: são dez conto (sem o S mesmo).-
- Dez não dá. Te dou cinco e vamos que o jogo já vai começar.
- Deixa dez aí, parceiro. É segurança total. Até o PM vai ficar aí para olhar. (Ou seja, o cara já terceirizara o policial).
Deixei cinco na mão dele e me fiz de desentendido. Andei. Na volta, feliz pela vitória, temi pelo carro (poderia ter sido rebocado ou roubado, afinal). Estava lá. Assim como o vaga-certa, que me cobrava dois reais, não pagos.
“Não dá, já dei cinco pro teu amigo mais cedo”.
- Ah, é, então deixa…
O carro estacionado logo atrás, caiu no golpe e deu mais dois reais.
E ali ainda vai ser realizado o Pan-Americano.
Arquivado em: Cotidiano
Quarta-feira, Maracanã, jogo do Fluminense pela Copa do Brasil. Há algum tempo o estádio passou a aceitar carteira de estudante para conceder meia-entrada. Lá fui eu comprar o ingresso a cinco reais para a minha irmã, que estava comigo. Apenas duas bilheterias vendem a esse preço, a oito e a cinco.
- É por causa do computador. Inserimos o número da identidade e do documento no sistema para não haver fraudes, disse uma das bilheteiras.
Chego à bilheteria oito. Dos dez guichês, apenas três vendem a meia. As filas não andam, dada a necessidade de registrar tantos números. Mas essa não é a única causa da demora. O sistema, aparentemente anti-fraude, é fraudado. E muito.
Um torcedor, ao meu lado, depois de muito discutir com a bilheteira, que insistia em dizer que ele já havia comprado ingresso, chamou um policial. Explicou a situação ao PM, que (surpreendentemente) lhe deu atenção e foi com ele até o guichê.
-Minha querida, houve algo de errado. Conferi todos os documentos do rapaz, são originais, e ele me garante que ainda não comprou ingresso.
- Mas a identidade dele já está no sistema. Não posso fazer nada.
Torcedor: mas como minha identidade está no sistema se eu acabei de chegar ao estádio e ainda não comprei?
A bilheteira não responde. O policial a obriga a vender pela metade do preço. “Dá um jeito. O cidadão está no direito”.
Ele consegue o ingresso e sai reclamando. O policial recomenda que ele se encaminhe a alguma delegacia ou mesmo à estação da PM do Maracanã para formalizar a queixa. Sua identidade havia sido falsificada, provavelmente.
Enquanto isso, dois cambistas rondam a fila anunciando “ingresso na minha mão, sem fila, a dez reais”. Se o preço normal é dez, ele precisa ter comprado por cinco para ter algum lucro.
Onde está o falsificador? Como conseguiu comprar vários ingressos? Por que o gentil PM não fez nada?
Imagino essa fila em uma final…
O Observatório Carioca andou meio abandonado: fui passar uns dias em Pernambuco. Trabalhei lá com algumas organizações sociais e aproveitei para conhecer um pouco mais a região. Fiquei ali em Recife – cidade muito bonita, que também aspira por cuidados. Depois vou colocar umas fotos aqui.
Lá em Recife fiquei sabendo do rapaz que parou o carro no cruzamento e dormiu: cada coisa! E, é claro, soube da morte de mais uma pessoa – uma jovem que voltava com os amigos de um passeio. Ontem fuzilaram policiais lá onde mataram o João Hélio.
—x—
O Observatório Carioca possui colaboradores – não é apenas uma pessoa que coloca essas coisas aqui. Porém, parece que meus companheiros e minhas companheiras de observação estão observando outras áreas. Então, aproveito e faço um convite: se você é uma pessoa que gosta de escrever (não precisa ser super bem) e gosta do Rio de Janeiro, aqui é seu espaço! Contribua conosco para criarmos um grande “observatório cidadão”.
Me manda um e-mail: cantoniorj@gmail.com que eu envio um convite pra você.






