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Mais uma vez, o descaso do poder público acaba com mais uma vida. Mais uma criança morta.
Vejam a matéria que saiu no Globo:
Por Isabella Guerreiro – Extra, Ediane Merola – O Globo e O Globo Online
RIO – Dois moradores de rua foram queimados próximo ao Viaduto dos Marinheiros, na Cidade Nova, por volta das 5h deste domingo. A moradora de rua Flávia Souza, de 15 anos, morreu. Segundo o companheiro da adolescente, identificado como Leonel, ela estava grávida de um mês. Wellington Alves, de 16 anos, amigo da Flávia, também foi queimado. Socorrido, ele foi levado para o Hospital Souza Aguiar. O rapaz teve 100% do corpo atingido por queimaduras de segundo e terceiro graus. Até o início da noite, o estado de saúde dele era considerado gravíssimo. Outros quatro moradores de rua dormiam no local quando Flávia e Wellington foram queimados, mas conseguiram fugir.
O morador de rua Eduardo Rodrigues de Souza, de 15 anos, era um deles. Ele contou que por volta das 5h da manhã de ontem acordou sentindo muito calor.
- Quando abri os olhos vi que o sofá estava pegando fogo. Comecei a acordar todos que dormiam. A Flávia não conseguiu sair. Ela estava desesperada, mas ficou longe da porta. Já o Wellington saiu com o corpo em chamas. Cheguei a tirar a roupa dele para ajudá-lo – contou Eduardo.
Devido à fragilidade da pele de Wellington, os médicos acreditam que o rapaz deve ter ficado em chamas por muitos minutos. Ele e outros menores de idade estavam vivendo sob o viaduto, dentro de um buraco aberto na parede.
Suspeito preso também é morador de rua
O motivo do incêndio seria vingança de um outro morador de rua, Paulo Roberto Oliveira Ribeiro, de 19 anos, o Dupira, que teria se desentendido com Eduardo e o jurado de morte. A polícia acredita que esta seja a hipótese mais contundente para explicar o crime.
O caso foi registrado na 20ª DP (Vila Isabel), onde Paulo Roberto foi preso em flagrante. Com ele, foi apreendida uma bolsa térmica com espuma e palitos de fósforo, objetos que, segundo o delegado-adjunto da distrital, Sandro Caldeira, foram determinantes para indiciá-lo por homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio.
Paulo Roberto de Oliveira Ribeiro, 19 anos, está detido na 20ª DP, acusado de ter ateado fogo a um grupo de moradores de rua que dormia sob o Viaduto dos Marinheiros, na Leopoldina
Durante toda a tarde, sete testemunhas prestaram depoimentos. Paulo Roberto negou participação no crime e disse ter envolvimento com o tráfico de drogas da Mangueira. No entanto, os policiais nada constataram em sua ficha criminal.
De acordo com Caldeira, a destruição do local do crime foi tão grande que não foi possível encontrar pistas do material usado no incêndio.
O secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, chamou o crime de “barbárie que deve ser investigada pela polícia”. Ele preferiu não fazer mais comentários, alegando que sabia dos acontecimentos apenas por informes de jornalistas e que só se pronunciaria quando fosse informado oficialmente pela polícia. Já a subsecretária de Estado de Assistência Social, Nelma de Azeredo, reconheceu que a estrutura montada para ajudar a população de rua não vem conseguindo dar conta do problema.
Reportagem da Waleska Borges publicada neste domingo no jornal “O Globo” mostra que a promessa da Prefeitura do Rio de garantir moradia definitiva para 119 famílias da antiga Fazenda Modelo, na Zona Oeste, que abrigava moradores de rua e em situação de risco social, já completa sete anos de espera e prejuízos aos cofres públicos.
Assinado em 2001, o termo de ajustamento de conduta (TAC) entre o Ministério Público estadual e as secretarias do Habitat e de Assistência Social não saiu do papel. Até hoje, a prefeitura paga auxílio-aluguel de R$ 200 para as famílias e ainda é multada diariamente, em R$ 1.500, pelo descumprimento do TAC. Cálculos preliminares da Promotoria da Infância e Juventude indicam que o município já gastou R$ 4 milhões, entre o que vem pagando de aluguel e o que tem acumulado em dívida de multas.
Fonte: http://oglobo.globo.com/
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