Observatório Carioca


Aedes Metrô by Página do Microcrédito
abril 2, 2008, 6:07 pm
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Depois de um tempo sem postar, hoje me animei um pouco.
Como sempre, tenho que falar um pouco do Metrô aqui do Rio, pois ele me ensinou uma valiosa lição de humildade: aprendi a viver como uma sardinha, por alguns minutos, em um vagão com centenas de pessoas coladas umas nas outras. Para sair ali na estação Uruguaiana, foi um empurra-empurra geral e pessoas chegaram a cair pelo chão.
Não vou nem falar da linha 2, que vai para bairros do subúrbio. Na linha 2 as pessoas são tratadas como gado, com direito a porteira e tudo. Não tenho palavras para descrever.
Aí, o Metrô começa a sua nova campanha onde “se cada um fizer a sua parte, a viagem será ótima”. Eles pedem que as pessoas não usem mochilas nas costas – isso irá realmente resolver o problema de espaço… Claro que não! Se todos colocarem a mochila para frente, ou levarem na mão, vai ser possível enfiar mais duas pessoas na lata de sardinha.
E é claro que tenho que destacar o maravilhoso adesivo no teto e na porta que diz para as pessoas não ficarem ali, que devem dirigir-se ao centro do carro. Porém não se consegue nem passar da porta, quanto mais ir ao centro do carro, onde já estão centenas de pessoas.
O Metrô para zona sul, onde supostamente está o “dinheiro” aqui no Rio de Janeiro é suportável, mas o que vai para a zona norte e o da linha 2 são uma incrível tortura. Dá vontade de gritar lá dentro – mas aí é perigoso, pois os guardas do Metrô, dentro das estações, possuem poder de polícia e podem te agredir.
Metrô Rio e a epidemia de dengue são os dois casos mais interessantes de descaso do poder público com a população. Quem é o responsável pela barbárie? No caso da epidemia, quem é responsável pela morte de várias pessoas, entre elas diversas crianças? Por que nossos hospitais são o lixo do lixo? Não temos médicos, os que estão não têm material para trabalhar. Como essas pessoas que supostamente nos representam conseguem dormir?
Chega. Tá difícil viver aqui. Nossa cidade está jogada às traças. Ou melhor, aos mosquitos.